Poesias Escolhidas do Thecelticsongs - Como eu te amo? (Elizabeth Barrett Browning 1806 - 1861)

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O The Celtic Songs é um grupo de músicos que busca divulgar a cultura celta através do trabalho artístico/musical levando também, para o grande público o conhecimento desta cultura através da poesia, a história e a mitologia. Postamos aqui as poesias que falamos na nossa última apresentação. 

 Falando um pouco sobre o autor: Elizabeth Barrett Browning - Inglaterra

Elizabeth foi uma poetisa inglesa na época vitoriana. Autora de "Sonetos da Portuguesa" que é uma reunião de poemas românticos, ela retrata em seus poemas, sua história de amor com o marido que também era poeta: Robert Browning. Um destes poemas, desta série, o poema de número 43 é considerado o mais belo, escrito por uma mulher em lígua inglesa. 
A tradução deste poema, declamado nas apresentações do The Celtic Songs é de Carolina Valverde.

Como te amo?

Como te amo? Deixa-me contar de quantas maneiras.
Amo-te até ao mais fundo, ao mais amplo e ao mais alto que a minha alma pode alcançar
buscando, para além do visível dos limites do Ser e da Graça ideal.
Amo-te até às mais ínfimas necessidades de todos os dias à luz do sol e à luz das velas.
Amo-te com liberdade, enquanto os homens lutam pela Justiça;
Amo-te com pureza, enquanto se afastam da lisonja.
Amo-te com a paixão das minhas velhas mágoas e com a fé da minha infância.
Amo-te com um amor que me parecia perdido - quando perdi os meus santos
amo-te com o fôlego, os sorrisos, as lágrimas de toda a minha vida!
E, se Deus quiser, amar-te-ei melhor depois da morte.




Poesias Escolhidas do Thecelticsongs - A Busca (Walter Scott 1771 –1832)

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O The Celtic Songs é um grupo de músicos que busca divulgar a cultura celta através do trabalho artístico/musical levando também, para o grande público o conhecimento desta cultura através da poesia, a história e a mitologia. Postamos aqui as poesias que falamos na nossa última apresentação. 

 Falando um pouco sobre o autor: Walter Scott 1771 –1832 - Escócia 

 Walter Scott era advogado e ficava criando personagens e fantasiando histórias em torno das figuras dos clientes que o procuram. Adorava a literatura e por ter essa paixão, investia seus rendimentos para comprar novos romances e livros de poesias. Sua oportunidade para dedicar-se à literatura surge após obter o cargo de delegado no pacífico condado de Selkirk. Inicia aí sua carreira literária com uma tradução para o inglês do poema Lenore de Bürger e o drama Goetz Von Berlichingen de Goethe. Publica outros romances de sucesso, porém permaneceu incógnito, como escritor por doze anos, o que aumentava o fascínio do público por seus livros. Ao refugiar-se no passado medieval da Inglaterra do século XII e estabelecendo relações entre o historicamente verdadeiro e o imaginário verossímil da época traz à luz o auge de sua fama: Ivanhoe, (1820) aventuras fictícias, porém de cenário real como templários, preconceitos anti-semitas, castelos. Suas obras foram traduzidas para várias línguas e no mesmo ano da publicação desse romance tornou-se barão. Seguindo na trilha do sucesso produz dois romances por ano: 1820 O Abade e O Mosteiro; Kenilworth 1821; O Pirata e As Venturas de Nigel e Peveril of the Peakem 1822; Quentin 1823; St. Roman’s Well e Redgautlet em 1824 e finalmente Contos dos Cruzados em1825. O infortúnio bate à sua porta no ano de 1826 e perde sua esposa, seu filho caçula, e seus editores vão à falência, tendo o escritor considerável participação nessa empresa. Escreve uma biografia de Napoleão, mal acolhida e uma série de contos. Revela-se autor de Waverley; publica dois volumes da História da Escócia e em dois anos paga parte de suas dívidas. Apesar de doente, e enfraquecido, continua sua atividade de escritor, sofre duas apoplexias e em 21 de setembro de 1832 falece. 

O POEMA:
 A Busca 

Oh Harpa do Norte! 
Tem permanecido dependurada há tanto tempo na acácia encantada, coberta pelos tons da primavera... Sob a brisa inconstante, dançam seus compassos 
Até que seja coberta pela era invejosa que envolve cada corda com seus ramos verdejantes... 

 Oh, Bardo, sua música vai continuar dormindo entre os sons das folhas e o murmúrio das fontes? Seus doces sons vão permanecer em silêncio, sem que proporcione sorriso ao guerreiro e olhos marejados à donzela? 

Não era assim nos tempos antigos da Caledônia... 
Oh, acorde mais uma vez! Então, não haverá mais silêncio! 
Harpa Encantadora, acorde mais uma vez!

Criança Roubada (W.B.Yeats)

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Onde submerge a cordilheira rochosa
De cães farejadores bravos no lago
Lá existe uma ilha arborizada
Onde garças agitadas despertam
Os castores sonolentos
Lá nós escondemos nossos vasos feéricos
Cheios de Bagas
E das mais vermelhas cerejas roubadas

Venha, Oh criança humana
Para as águas e para a selva
Com uma fada, de mão dada
Pois o mundo está mais cheio de mágoa
Do que você pode entender.

Onde os raios de luz brilham
As areias cinzas e tênues com luz
Sem dúvida não tinham gravetos
Nós pisoteamos-nos por toda noite
Interpretando danças antigas

Cruzando mãos e cruzando olhares
Até a lua levantar seu voo
Para lá e para cá nós saltamos
E perseguimos as bolhas de espuma
Enquanto o mundo está mais cheio de problemas
E está ansioso em seu sono.

Onde a água corrente jorra
Das montanhas sobre os vales
Em poças entre os juncos
Cuja escassez poderia banhar uma estrela
Nós procuramos por trutas dorminhocas
E sussurrando em seus ouvidos
Demo-nas sonhos inquietos
Inclinando-se suavemente para fora
Das samambaias que despejam suas lágrimas
Sobre os riachos jovens

Assim, conosco ele está indo
O olhar solene
Ele não ouvirá mais o ruído
Dos novilhos no penhasco quente
Ou da chaleira no fogão
Cantemos paz no seu peito
Ou vejamos os camundongos marrons
Ao redor da caixa de trigo.

Pois ele vem, a criança humana
Para as águas e para a selva
Com uma fada, de mãos dadas
Pois o mundo está mais cheio de mágoa
Do que você pode entender.

THECELTICSONGS E O TRISKLE

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"Tendo em consideração o número três, símbolo sagrado dos Celtas, o qual tanto se apresenta com a forma de tríade como de triskel, a tripla espiral que, girando à volta de um ponto central, simboliza por excelência o universo em expansão." 
Jean Markale - A Grande Epopéia dos Celtas.

Triskelion é considerado um antigo símbolo indo-europeu, palavra de origem grega, que literalmente significa "três pernas", e, de fato, este símbolo nos lembra três pernas correndo ou três pontas curvadas, uma referência ao movimento da vida e do universo. Na cultura celta este símbolo também reperesenta um portal entre os mundos.

O Thecelticsongs acredita que a música tem o "poder" do transporte, ou seja, através do som a alma pode galgar mundos, sonhos e estar nos lugares mais elevados. Por isso, nosso símbolo é um triskele em expansão: no sentido horário. Movimento contínuo de som. Movimento contínuo da alma! O triskelion também é conhecido por Triskle ou Triskele, Tríscele, Triskel, Threefold ou Espiral Tripla. É um movimento contínuo... A ciclicidade e o movimento contínuo é um aspecto importante. Assim como a ciclicidade e movimento na música. Assim é no som pois assim é a natureza.

O triskele também traz aspectos assim como na música pois há "ornamentos", "emodulramentos", "modulações", "ciclicidade", "movimento QUE É contínuo". Este símbolo que é tão importante e antigo: um antigo símbolo indo-europeu, palavra de origem grega, que literalmente significa "três pernas", pode fazer PERFEITAMENTE a analogia com as conquistas sonoras musicais. Por isto, Thecelticsongs traz a marca do Triskele em sua música!

Na última ( e épica - para alguns) apresentação do Thecelticsongs mostramos a figura do Triskeles em nossa música e era uma música instrumental. A relação do significado do triskeles com a composição foi fundamental. A música era um medley (conjunto de canções em uma obra só) que apresentava uma associação cíclica e contínua nas músicas apresentadas.



THE CELTICSONGS: A COMUNICAÇÃO ATRAVÉS DA MÚSICA

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É necessário pensar em diversas formas da comunicação. Dentro destas formas temos a arte como forma de expressão. A nossa música é a nossa comunicação, expressão e informação. O som, o canto é uma ferramenta. Nos expressamos COM a música ATRAVÉS do som, do canto e é com esta ferramenta que mostramos a beleza da música celta.
Para que a beleza, a arte e a estética musical seja identificada através da música celta há algumas exigências. Isto exige do grupo grande conhecimento do estilo musical em que se propõe a fazer, conhecimento de interpretação (a importancia de saber a história, mitologia e literatura) e ao mesmo tempo criando arranjos próprios não abrindo mão da identidade musical do grupo.
Sendo assim, o Thecelticsongs traz para o palco instrumentos extremamente importante para esta sonoridade: A Harpa (símbolo nacional da Irlanda), percussão (música celta é essencialmente uma música tribal), Bodhran (instrumento de percussão irlandês) Gaita de Fole Irlandesa (Esta que usamos é irlandesa pois existem vários tipos de Gaita), Flauta Irlandesa (as flautas irlandesas Whistle tem uma família) Concertino (Este concertino é irlandês) assim como voz, piano, sax e violão.

Helen Isolani - Voz
Cecília Pacheco – Harpa
Carolina Valverde – Bodhran/Sax
Alexsandro Novais – Concertino Irlandês/Flautas Wistle/Gaita de foles Irlandesa
André Jaued – Percussão
Luis Enrique – Violão
Robério Molinari - Piano



A música celta diz muito da literatura, da poesia, da mitologia e da história destes países que hoje são considerados celta. Nossos países (EM FOCO) são: Irlanda, Escócia, País de Gales e Inglaterra.

“Triste de recordar, enfermo com os anos,
As inumeráveis e velozes lanças,
Os cavaleiros de cabelos ao vento,
E malgas de cevada, mel e vinho,
Aqueles felizes casais dançando em sintonia,
E o alvo corpo deitado junto ao meu;
Mas a história, embora as palavras sejam mais leves que o ar,
Deve viver  para envelhecer como a Lua errante.”

(The Wanderings of Oisin, por William Yeats, 1889)

The Bard of Armagh

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Continuando as nossas postagens sobre as músicas do nosso repertório, gostaríamos de falar de uma balada tradicional irlandesa. De meados do século XIX que se chama: The Bard of Armagh (O bardo de Armagh).

Armagh é uma cidade na Irlanda do Norte, sede do Condado de Armagh. Em irlandês é conhecida como 'Ard Mhacha', ou 'Macha's Height'. Armagh é a cidade menos populosa da Irlanda do Norte, e a segunda menos populosa da ilha da Irlanda, sendo superada apenas por Kilkenny. Possui uma população de 14 590
pessoas segundo o censo britânico de 2001.




Esta música, como em quase toda canção tradicional irlandesa fala do bardo que é herói, harpista que sonha em voltar para Erin (antigo nome da irlanda). A harpa, por sua vez é um símbolo nacionalista.


A letra diz:

Oh! List to the lay of a poor Irish harper,
And scorn not the strains from his old withered hand,
Remember his fingers could once move more sharper
To raise up the glories of his dear native land.
Although I have traveled this wide world over,
Yet Erin’s* a home and a parent to me,
Then, oh! Let the ground that my old bones shall cover
Be cut from the soil that is trod by the free.

Tradução:

Oh! Ouçam a música de um pobre harpista irlandês,
E não desprezem as canções de sua velha e fraca mão,
Lembrem-se de que seus dedos já puderam com mais força se mover
Para exaltar as glórias de sua amada terra-mãe.
Embora eu tenha viajado por todo o grande mundo,
Erin* ainda é um lar e uma mãe para mim,
Então, oh! Deixa que a terra que cobrirá meus velhos ossos
Seja a terra deste solo, pisado pelos livres.
  
http://www.youtube.com/watch?v=V-Ret_5CdbA

ainda sobre Scarborough Fair...

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Na idade média, as pessoas não costumavam dar créditos para músicas ou outras obras de arte, de modo que o escritor de Scarborough Fair é desconhecido. 

A canção foi entoada por bardos (ou shapers, como eram conhecidos na Inglaterra medieval) que a levavam de cidade em cidade da forma que cada um ouvia... por isso as letras e arranjos mudaram. Hoje existem muitas versões de Scarborough Fair.





No segundo verso de cada estrofe se repetem essas palavras que nessa ordem têm um significado especial: Salsa, sálvia, alecrim e tomilho. É provável que seja uma alusão ao compromisso do cantor com sua amada. 

Há ainda outra interpretação para estes versos:

Parsley (Salsa): Eu quero que você seja a mãe dos meus filhos.
Sage (Salvia): Sou fiel.
Rosemary (Alecrim): Pense em mim.
Thyme (Tomilho): Eu sou seu.

Alguns significados e interpretações para as ervas (Antes e Hoje):

Salsa (Petroselinum crispum)
Salsa ainda hoje é prescrito por fitoterapeutas para pessoas que sofrem de má digestão. Comer uma folha de salsa durante uma refeição faz com que a digestão de verduras, como espinafre que é pesado, se torne muito mais fácil. Dizem que era para tirar o amargor e os médicos medievais levavam isso em um sentido espiritual também. A Salsa é uma das mais antigas ervas utilizada como tempero. Do latim salsa herba, de salsus, “salgado”. Por extensão, também “o que dá gosto à comida. A palavra Salsa em espanhol significa molho, uma palavra hispânica para sauce, mas salsada quer dizer amalgamada, misturada. A própria dança "Salsa" tem esse nome devido a uma mistura de ritmos.

Sage (Salvia officinalis)
Sálvia foi conhecida por simbolizar a fidelidade. Muito utilizada na Idade Média.

Rosemary (Rosmarinus officinalis)
Antigos amantes gregos usavam dar alecrim às suas senhoras e o costume de uma noiva usar galhos de alecrim em seu cabelo ainda é praticado na Inglaterra e em vários outros países europeus hoje. A erva também é sinônimo de sensibilidade e prudência. Antigos médicos romanos recomendavam colocar um pequeno saco de folhas de alecrim debaixo do travesseiro de alguém que teve que realizar uma tarefa mental difícil, tal como um exame.

Tomilho (Thymus vulgaris)
Thyme é mencionado aqui porque ele simboliza a coragem. Na idade Média, os cavaleiros usavam imagens de tomilho em seus escudos quando eles saíam para o combate. Suas mulheres bordavam neles como um símbolo de sua coragem.

As ervas salsa, sálvia, alecrim e tomilho, retornando na segunda linha de cada estrofe, dão um sentido chave para a música. Embora sem sentido para a maioria das pessoas hoje em dia, estas ervas falavam com a imaginação das pessoas na era medieval, tanto quanto rosas vermelhas falam para nós hoje. Elas simbolizam as virtudes do trovador, desejos de seu verdadeiro amor e se o têm, a fim de torná-lo possível para ele voltar.

Então, como em toda a canção medieval, na celta, a letra é riquíssima de informações não só poéticas mas um significado de uma época. 

Cada canção, uma vivência! 

Aguardem a próxima postagem!!